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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Green

Sua alma estava calma. De alguma forma ela sabia que tudo isso era preciso.

As últimas palavras que ela escutou fizeram com que um jorro de luz lhe acertasse o peito. Tão verde como seus próprios olhos. Seu corpo repousou enquanto a vida a deixava.

Trecho de Cromática.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Idênticos

O sol iluminou teu corpo - acho que a primeira lembrança que tenho de você. Teu rosto se aqueceu naquele mês gelado e eu pude me sentir bem por alguns instantes.

Acho que é por isso que as coisas sempre fogem ao meu controle: quando a gente ama alguém não existe nenhuma espécie de fronteira, nenhum obstáculo suficiente para acabar com todos o sonhos e desejos.

Eu não posso me perdoar por toda a fragilidade que sempre demonstrei, mas também jamais conseguiria me manter intacto vendo que você sofria.

Por mais que parecesse que tudo o que eu sentia fosse traição, não conseguia para de imaginar meus lábios junto aos teus, minhas mãos nas tuas. E que você corresponderia a tudo para poder ter uns breves momentos de identificação com aquela imagem que sempre povoaria teu coração. Na verdade, nossos corações.

Mas eu não conseguia desviar meus olhos de você, mesmo sabendo que todo o amor que você pensava sentir por mim era dirigido para um outro rosto idêntico ao meu.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Odeio as suas nuvens

Seu rosto estava concentrado. E eu gostava quando podia ficar olhando pra ele assim, enquanto você parecia estar longe demais. Era inalcançável qualquer chance de estar com você. Não que eu acredite que não podia te tocar. Isso não. Mas eu jamais conseguiria fazer você sentir aquilo que eu mesmo sentia quando meus olhos batiam no seu rosto.

Frustrante.

Justamente porque eu jamais poderia te ter era que eu te queria.

Engraçado, não é? Você diria que é ridículo, quase uma piada macabra. Uma pena nós dois estarmos nela. Uma grande tragédia eu ser o protagonista dessa relação fadada ao erro e ao engano.

Mas naquela hora isso não importava. Era apenas o seu rosto concentrado que me enchia de prazer. Uma admiração velada. E meus olhos não paravam de percorrer o contorno da sua face pálida.

Era bonito, sabe? A forma como a cor da sua pele se tornava mais avermelhada nas maçãs do rosto. O jeito como seus cílios se curvavam levemente. A curvinha que seu nariz tinha pra se tornar um pouco empinado. E eu amava cada detalhe desses, cada mísero detalhe da sua tão querida face.

Mas acho estranho que, quando estávamos sozinhos, entre beijos, nada parecia tão bonito assim.

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Sem plot, sem ship; mas me soou muito Sirem...

sexta-feira, 18 de abril de 2008

De todos os pecados

Os lábios nunca disseram Porque. Era simples assim, não havia nenhuma explicação plausível. Elas estavam juntas, e era isso que interessava. Os corpos, os desejos. Os pecados. O que elas faziam fechadas naquele quarto não importava a mais ninguém.

A pele marcada, os arranhões, o cheiro animal. Nada disso realmente tinha valor algum, porque não era por isso que elas se encontravam. Casualidade? Talvez. Estava mais para uma necessidade. Necessidade de existênia, de abalar valores, de mostrar que elas nadavam contra a maré púdica de máscaras falsas.

Era a necessidade de mentir.

Elas viviam isso a cada instante, a cada olhar, a cada suspiro. E, por todos os dias que elas não se viam, abria uma brecha para as dúvidas, para os rancores. Era quando elas não se viam que realmente nascia a vontade de saber por que. Apenas quando não estavam uma nos braços da outra que os lábios procuravam respostas há muito indesejadas. Era apenas quando elas estavam separadas que nascia o arrependimento por ter acreditado que elas poderiam formar um nós.

terça-feira, 8 de abril de 2008

The hardest part

Estive pensado muito em tudo o que fizemos. Não entendo muito bem quando começou o seu afastamento, ou o seu adeus silencioso, mas toda a nossa felicidade parece estar muito distante agora; todas as cores que você se propôs a colocar na minha vida tomaram apenas um tom cinzento e amargurado.
Fomos felizes?

segunda-feira, 24 de março de 2008

De: Mosaico

Nenhuma claridade no quarto. Bella ouviu um barulho. O assoalho rangendo sob pés. Mãos na varinha. Minha varinha nas minhas mãos. Eu atacaria. Mas esperei. Ninguém entrava na mansão Black sem ser ouvido... Esperei. Ninguém atacou. Respiração pesada. Cheiro de wisque de fogo. Cheiro de suor. A luz na ponta da minha varinha me mostrou quem era o estranho. Um estranho Black. Um estranho entre os Black. Sorri. Bella gostou de ver Sirius em seu quarto. Ele estava parado. Ao lado da porta. Não se mexeu. Mas desenhou meu corpo com um olhar.O tempo passou. Quanto? Bella não sabe. Mas Sirius não se moveu. Eu também não queria me mover. Respiração pesada. Cheiro de suor. Cheiro de bebida. Bella cansada. "O que você quer aqui?". Ele sorriu. "Você não sabe?". Sussurro. Sua voz era um sussurro. Saia do meu quarto! Não, não saia... E ele não saiu. Se aproximou da cama. Com passos vacilantes. Sorriso no rosto. Como Sirius era bonito. Muito parecido comigo. Podíamos ter sido irmãos... Mas não éramos. As mãos desceram pelas minhas costas. Como o pano da camisola era fino... Como Sirius era quente. A boca dele encontrou-se com a minha. Nada de sorrisos agora. Gosto de bebida. Cheiro de bebida. Cheiro de homem... Língua com língua. As mãos dele no meu corpo. Desejo... Era tudo o que éramos nesse momento. Puro desejo. E por que não? O sangue era igual ao meu. Conhecia ele desde que nasceu... Por que não? Minhas roupas no chão. As roupas dele sobre as minhas. Nós dois na cama. Nada de sorrisos. Eram beijos. E mãos. Como ele era bonito! Nós até poderíamos ser irmãos... Mas não éramos. Naquele instante nós éramos dois amantes. Apaixonados. Bella e Sirius... Sirius e Bella. Nada de Andie naquele instante. Nada de Lord. Nada de amigos. Éramos nós dois. E o nosso desejo. Os dois corpos na cama. Cheiro de bebida. Cheiro de suor. Nós poderíamos ter sido irmãos... O corpo de Sirius do meu lado. O espelho grande acusando. Nunca mais. Nunca mais a vida seria a mesma para nós dois, Sirius. Minhas mãos no cabelo dele. A respiração fraca saindo da boca... E a chuva caindo. O céu chorava. Chorava por nós dois...

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Sei lá o que me deu escrever esta loucura aqui no blog. Simplesmente acho que não poderia deixar de lado a primeira coisa que escrevi como ficwriter nesta vida. É ruim, eu concordo. Não quis colocar nenhuma palavra forte, não quis colocar cena NC17, mas quis passar toda a loucura que a Bellatrix sentia em relação a tudo: sua vida, sua condição, seu primo, suas escolhas. Ela era louca muito antes de cair em Azkaban. E é nisso que eu me baseei pra escrever esta fic meio mal feita, meio corrida, sem betagem e sem muita correção.
É uma daquelas coisas que por mais que você tente esquecer, não tem como...

quinta-feira, 20 de março de 2008

Primeira do Plural

E, enquanto eu passava por você, senti suas mãos prenderem meus dedos frios e gordinhos. Parei de caminhar enquanto sentia o latejar do sangue através dos poros da pele. Seu coração bombeava sangue rapidamente pelas suas extremidades. E eu sentia seu calor pulsando, chegando até mim por um breve toque. E eu suspirei quando você largou a minha mão e voltou a olhar aquela roseira espinhosa. Precia que você dedicava uma atenção especial àquilo.

As pessoas viciam. Eu me viciei em challanges, mesmo que de fato não participe deles. O que é engraçado. Porque é de se pensar que você escreve para um challange querendo concorrer. Mas acho que pra mim não é bem assim.
Medo de julgamentos. Afinal, meu teto é de vidro...

segunda-feira, 10 de março de 2008

- Eu estou ficando louca! - ela atirou a escova de cabelos na direção do espelho oval que ocupava grande parte da sua penteadeira.
Com um estrondo agudo, o espelho se partiu em pedaços. Ginevra encarou seus próprios olhos refletidos naquela superfície lisa, e se amaldiçoou por não ter coragem de acabar com tudo de uma vez por todas.
Seus dedos pálidos pegaram um daqueles pedaços, e tocaram uma das pontas até que a pele fosse perfurada. Ela sentiu uma pequena fisgada de dor e vislumbrou uma pequena gota rubra escorrer pela a base da mão.
Ela se sentia em pedaços. Ele havia deixado sua alma estilhaçada, salpicada de sangue. A culpa de todos os seus infortúnios se devia a um nome somente.
E aquele nome não parava de percorrer seus lábios. Era o que seu corpo queria. Ele era a sua condenação. E ela sussurou mais uma vez entre as lágrimas que começavam a escorrer:
- Draco.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Cara Ginny

Bateu saudade. Foi assim, uma coisa boba que veio do nada, mas que não foi embora junto com o vento. Ficou e não saiu mais.
E dói. Parece que é uma ferida que não quer cicatrizar. E isso acaba irritando, porque não tem nada pior do que uma ferida que ainda sangra. Mesmo depois de tanto tempo.
Não que não sejam lembranças boas. Acho que foram os melhores da minha vida. Mas não passam de lembranças, e é isso que me magoa. Conversas, por mais que continuem, nunca serão as mesmas de quando éramos adolescentes. Porque em Hogwarts, tudo parecia possível.
Inclusive usar brincos de rabanete e deixar que os zonzóbulos tomassem conta. Porque só lá era possível ser feliz. Junto de vocês.
Foi a primeira vez que entendi o real valor da palavra amigos. Parece engraçado como nenhum dos gnomos jamais foi tão legal quanto vocês. E é isso que ainda sinto, sabe? Porque o tempo não volta atrás.
E quando a saudade vem, me faz lembrar dos seus sorrisos. De todos vocês. Da forma como seus olhos brilhavam, Ginny, ou dos dentes brancos que a Hermione mostrava quando achava que valia a pena. Gostava do modo como as bochechas do Neville coravam ou como o Rony parecia mais bobo ainda quando dava aquele sorriso sem graça. Acho que é por isso que agora machuca: porque nenhuma lembrança consegue fazer jus aos originais.
Mas acho que você sabe disso, não é?
Enfim, quanto mais eu vejo os anos passando, mais eu percebo o quanto tudo aquilo me faz falta. Não que eu não seja feliz agora. O Rolf é maravilhosos, não me entenda mal. Mas é um outro tipo de felicidade. Bem diferente da que eu tive quanto estava junto de vocês.
Mas acho que a saudade passa. Pelo menos essa sensação estranha que não quer parar de cutucar no meu peito.

Carinhosamente,
Luna.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Possessão

As mãos frias tocando meu rosto. Essa é a primeira lembrança nítida de você que eu consigo guardar. Suas mãos sempre me pareceram compridas demais, pálidas demais, geladas como a própria morte. E quem sabe não era realmente isso? Possessão, disseram. Mas acho que o que aconteceu entre mim e você foi muito maior do que a simples habitação do corpo alheio.

Quando depositei meus temores naquele diário eu procurava uma forma de poder extravasar todo o ressentimento e o temor que se instalaram em meu íntimo. Mas o que beirou aquelas páginas amaldiçoadas foi o seu nome. Tom Riddle. E, de alguma forma, este passou a ser o som que brotava nos meus lábios quando nada mais importava na minha vida.

Você me entendia, você julgava que meus medos eram reais e que eu estava certa em jamais ter mencionado nada disso para ninguém. Você me falou que Hogwarts era grande e que provavelmente eu passaria alguns dias imersa em fascínio, mas que isso logo passaria. Passaria porque eu ainda não tinha uma noção exata do que tudo isso significava.

E eu confiei. Confiei em suas palavras, confiei em seus julgamentos. Eu acreditei que o que você falava era real e que não havia outra forma de me libertar, a não ser deixar você agir. Então, emprestei meu corpo para seus desígnios.

No início, quando suas mãos se aproximaram do meu peito, eu senti um leve desconforto. Afinal, seu toque não passava de uma sensação. Pensei que você era o mais parecido com um sonho: sua forma brilhava levemente. Como um anjo, pensei. E por muitos instantes eu acreditei que você era um anjo, que você viera para me ajudar. Mas você era um anjo decaído, apagado e esquecido.
Sim, esquecido. Você mesmo quisera esquecer; você fez com que Tom Riddle não existisse mais. Não era você que eles temiam, não o garoto que estava na minha frente naquele momento. Não que eu soubesse disso quando você aproximou os lábios do meu pescoço. Naquele momento você era meu desejo mais profundo, era a chave para que eu não mais precisasse temer.

Enganei-me. Mas, naquele instante, nada disso importou. Eu estava em suas mãos; não apenas meu corpo, mas minhas vontades e minha alma. E eu não lembro de nada que fiz. Acordei na manhã seguinte no meu quarto, na minha cama, como se tudo não tivesse passado de minha imaginação. Quando toquei embaixo do meu travesseiro senti o diário e passei a entender que algo novo estava prestes a acontecer.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

"Nunca pensei que sentiria amor quando voltasse a encarar seus olhos depois de tudo o que aconteceu. Na verdade, o que me levou a te procurar naquela tarde de abril foi a necessidade de lembrar aquilo que era inesquecível pra mim. Ninguém consegue deixar de lado uma parte de sua própria vida.
Eu tentei olhar no seu rosto e dizer que a morte era uma vaca que sempre acabava com tudo aquilo que as pessoas planejavam; eu tentei te dizer que estava tudo errado, que não existia nada que pudesse fazer o tempo voltar, mas que eu queria que ele estivesse ao meu lado. Eu tomaria coragem e lhe diria que não teria hesitado nenhuma vez se pudesse trocar de lugar com ele.
Eu queria alguém que chorasse comigo pela falta que ele fazia, eu queria alguém que pudesse arranhar a ferida mais e mais só pra ver o sangue escorrer. Não existia misericórdia e eu não estava ali para receber um olhar de pena ou consolo. Eu te procurei porque sabia que você preferia que eu estivesse morto, e que Fred continuasse ao seu lado.
Eu queria poder mudar o que acontecera. E num ato heroicamente estúpido, eu te procurei.
Mas nada do que eu imginara lhe dizer saiu da minha boca. Seus olhos negros não me acusaram de ocupar o lugar dele, suas palavras não foram hipócritas.
- Você demorou pra me procurar, George.
E você virou a cabeça devagar, segurando meu corpo dois palmos mais alto que o seu num abraço apertado.
- Eu sinto tanta falta dele, Angelina...
E como eu esperava, você não disse que era hora de bater a poeira e voltar a viver normalmente. Você não disse que a vida continua e que eu devia esquecer. Acho que você me entendia porque também sofria. Você também o amava e não poderia, jamais, pedir para que eu simplesmente continuasse como se nada tivesse acontecido. Você só me apertou com mais força, e eu senti uma gota quente cair no meu pescoço.
- Eu também, George."


Isto só saiu depois que baixei a nova edição do The Quibbler, no Aliança 3 Vassouras e vi esta imagem aqui.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Conta-gotas

- O tempo escorre pelos meus dedos, e eu não consigo mais agüentar tanta opressão! Por que você não chega mais perto de mim e diz todas aquelas palavras que tanto ensaiou na frente do espelho na noite passada? Por que você simplesmente não adimite que me ama?
- Eu não posso. Eu não sou tão forte assim, Hermione! Será que você não entende que as coisas não são como você quer que sejam?! Será que você ainda não compreendeu que eu não posso ficar com você, sangue-ruim?! É para o seu bem...


Eu sempre achei Draco/Hermione totalmente fora de cogitação, mas acho que vale à pena tentar.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Back to Black

Ela sempre quis escutar as palavras doces que ele nunca diria. Não que ainda alimentasse a esperança de que algum dia ele mudasse de atitudes. Não esperava mais nada dele, a não ser cumplicidade. Eram os dois cúmplice de sentimentos a muito mortos e enterrados. Eram os sobreviventes de um mar de fogo, que os consumiu até restarem apenas cinzas. Cinzas da cor dos olhos dele.
Não existia nada no mundo que deleitasse tanto a visão de Marlene quanto aquele sorriso travesso que brotava do rosto do jovem homem. Uma pena os sorrisos de Sirius terem se tornado tão monstruosos quanto seus princípios. Mas Marlene não queria mais lamentar estas besteiras, e se deixou fitar mais um pouco a face dele, que se sentava à sua frente enquanto comia, concentrado demais para perceber a atenção que a mulher lhe dispensava.
Era naquele restaurante pequeno que eles costumavam se encontrar vez por outra, para rir e matar a saudade dos tempos de escola. Mas hoje era um dia especial: estavam comemorando uma vitória silenciosa e pequena diante de um adversário cruel e implacável - o Tempo. Marlene comemorava seu aniversário ao lado daquela companhia extrema e provocante, exausta pela festa a qual recém haviam abandonado.
- Eu não sei porque continuo vindo aqui com você, Sirius...
O homem desviou os olhos do seu prato de comida e encarou a mulher que estava na sua frente como se percebesse pela primeira vez que ela estava ali.
- Acho que é o meu charme natural, Marlene. As mulheres grudam em mim como moscas no mel...
Marlene riu daquele comentário idiota e lançou o tronco para frente, de modo a ficar mais próxima de Sirius.
- Você já deixou todo o seu mel espalhado lá em casa, Black. Este lugar deve ter um motivo especial para nós, mesmo que inconsciente.
Sirius analisou as palavras dela. Era verdade: não precisavam estar ali naquele restaurantezinho, de madrugada, comendo uma comida miserável e falando trivialidades. Eles já tinham passado desta fase de encontros furtivos em lugares públicos há muito tempo. Ele lambeu os lábios com a ponta da língua, sem saber o que dizer.
- Acho que este lugar é enfeitiçado - e riu do seu comentário.
Girando a cabeça para os lados, Marlene olhou aquele lugar e pensou que ali era o local menos mágico de toda Londres. Era tão trouxa quanto qualquer outro restaurante barato daquela cidade. Não, Marlene duvidava muito que havia algum feitiço naquelas paredes.
- Talvez seja o costume.
- Costume? - Sirius parou para pensar. - É. Talvez realmente seja um costume.
Ela sabia que ele estava pensando no relacionamento deles. Já fazia quase dois anos que eles mantinham uma relação de proximidade quase parasita. E Marlene sabia que não era amor tanto quanto Sirius.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Trechos

Havia alguma coisa que Sirius tinha deixado passar; não estava conseguindo entender onde andava errando ao tentar conquistar o amor de Remus. E agora, o menino estava de pé na sua frente, tirando toda a sua concentração destinada aos pensamentos e divagações, com o rosto corado em cada milímetro de pele a mostra e seus olhos castanhos levemente arregalados.
- O que você pensa que está fazendo?
Sirius abriu a boca sem entender muito bem o que Remus perguntara.
- Não estou entendendo, Moony...
- Quem não está entendendo sou eu... - pigarreou e balançou cabeça de uma forma perigosa. - Encontrei uma carta dentro do seu livro de Transfigurações Avançadas. Na verdade não era uma carta, mas anotações.
"Que m...", pensou Sirius.
- E agora encontro você a desenhar... bem, a fazer isso na mesa.
Sirius olhou para a pena que havia traçado um coração com a letra R desenhada em seu interior, inconscientemente segura entre seus dedos.
Ele suspirou. Não havia como negar, nem como desmentir.
- É isso mesmo, Remus. Exatamente o que você está pensando.
Remus deixou o corpo cair na cadeira na frente de Sirius.
"Maravilha! Consegui estragar tudo...".
Suspirou e se permitiu ficar olhando para aquele rosto que exalava confusão. Tinha de admitir que esperava outra reação de Remus. Mas, quem era ele para julgar como alguém devia agir? Sorriu melancolicamente ao pensar que agora seria tudo diferente entre eles dois.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Análises

- Sabe quando a gente sente um treco estranho no corpo, uma falta de ar gelada e dolorida, um formigamento no cérebro, mas que causa um contentamento demorado que começa no peito?
O garoto acenou afirmativamente com a cabeça.
- Como se chama este momento?
- Acho que não é apenas um momento.
Ela fitou dentro de seus olhos.
- Acho que você pode dizer que é amor - ele deu de ombros.